Trabalhei
em uma empresa que tinha uma chefa chamada Vida. Um dia estava eu lá
preparando meu café, como em todas as manhãs, e justo naquele dia
resolvi colocar adoçante. Nunca colocava. Tinha uma época que eu
estava tomando café puro, porque segundo minha mãe “se você
ficar duas semanas sem tomar café com açúcar, você se acostuma.”
Ainda
assim naquele dia estava em um papo com a Vida e peguei o adoçante.
Ela se exaltou e me disse que eu não deveria colocar isso no café e
contou uma história sobre o tio dela ter tido câncer devido ao
Sorbitol do adoçante.
Voltei
pra minha mesa rindo, e pensando que quando a Vida lhe dá um
conselho é melhor você ouvir.
Passo
café quase todos os dias, é um ritual, uma missa, uma cerimônia do
café. A cerimônia do café envolve muitas coisas. Por exemplo
se for pra adoçar a jarra inteira, eu sempre coloco cuidadosamente a
última colher de açúcar dentro da jarra, coisa de superstição
mesmo. Parece que fica mais docinho.
Se
tem uma coisa que me incomoda é quando você adoça o café com
açúcar e o último gole fica doce demais. Quase me dá um treco.
Então
hoje fiz meu café e apertei o adoçante em cima jogando aquele
jatinho de líquido (esses adoçantes baratos nunca adoçam
muito). Mesmo sabendo que dá câncer e contrariando a sugestão
da Vida eu coloco adoçante. Às vezes fica amargo.
Mas
é melhor a vida meio amarga do que doce demais, pelo menos pra mim.
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