terça-feira, 20 de outubro de 2015

[Crônica] A cerimônia do café


Trabalhei em uma empresa que tinha uma chefa chamada Vida. Um dia estava eu lá preparando meu café, como em todas as manhãs, e justo naquele dia resolvi colocar adoçante. Nunca colocava. Tinha uma época que eu estava tomando café puro, porque segundo minha mãe “se você ficar duas semanas sem tomar café com açúcar, você se acostuma.”

Ainda assim naquele dia estava em um papo com a Vida e peguei o adoçante. Ela se exaltou e me disse que eu não deveria colocar isso no café e contou uma história sobre o tio dela ter tido câncer devido ao Sorbitol do adoçante.

Voltei pra minha mesa rindo, e pensando que quando a Vida lhe dá um conselho é melhor você ouvir. 

Passo café quase todos os dias, é um ritual, uma missa, uma cerimônia do café. A cerimônia do café envolve muitas coisas. Por exemplo se for pra adoçar a jarra inteira, eu sempre coloco cuidadosamente a última colher de açúcar dentro da jarra, coisa de superstição mesmo. Parece que fica mais docinho. 

Se tem uma coisa que me incomoda é quando você adoça o café com açúcar e o último gole fica doce demais. Quase me dá um treco. 

Então hoje fiz meu café e apertei o adoçante em cima jogando aquele jatinho de líquido (esses adoçantes baratos nunca adoçam muito). Mesmo sabendo que dá câncer e contrariando a sugestão da Vida eu coloco adoçante. Às vezes fica amargo.

Mas é melhor a vida meio amarga do que doce demais, pelo menos pra mim.






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